sexta-feira, 11 de julho de 2008
Muda!!!!!!!!!
Muda, eu disse!
Hum essa palavra pode parecer que eu esteja muda, sem voz, afônica mesmo pois ha um mês que não posto nada nesse blog. Quem sabe seja por isso a minha dor no estômago, a minha ansiedade abusiva, a minha compulsão por não fazer nada e uma falta de vontade de fazer tudo.
Pensei: "vou escrever algo hoje", afinal, acordei cedo e não tenho um compromisso urgente esta manhã...( por mais que estude, na hora esqueço como usar o pronome demonstrativo em relação ao tempo, só sei em relação ao espaço). Bah....Muda!
Ah, voltando ao "muda".
Férias chegando, um ar de tranquilidade na casa...todos dormem depois de dias conturbados que antecedem as provas. Nem mesmo a Preta quis levantar cedo hoje.
Muda!!!
Tá bom, vou falar.
Não, Muda!!!!
Hâ?
É o imperativo!!!!
Ok, Mudei...
domingo, 8 de junho de 2008
Esquina de lágrimas
Parada naquela esquina, achava que era mais uma que havia despertado longe do ninho. As lágrimas caíam numa sucessão incontrolável, brotavam e lançavam-se como alguém que se lança em queda livre.
A tarde começava a cair e o sol se desmanchava na grande extensão das montanhas longe, onde provavelmente ela queria estar.
Voltar pra casa, acender a luz e encontrar lá os móveis cobertos com a poeira que se assentava durante todos aqueles dias em que não estivera lá.
Pensou.
Não o fez.
Estava ali sem conseguir mover um braço, um dedo sequer.
A água escorria abundante e sumia depressa na boca de lobo à sua frente. Ela pensou por um segundo que eram suas lágrimas que encontravam um caminho, mesmo que esse caminho fosse o encontro com os ratos e baratas e mijos e fezes da cidade. Mas não. Suas lágrimas não tinham a sorte desse encontro. Suas lágrimas se perdiam ao descer em queda livre pelo corpo ressecado.
Seu olho já não via mais, assim como não sentia mais o frio nem o calor e nem o vento. Todos os seus sentidos estavam anestesiados. Ela já nem mais pensava.
Ela ouviu de repente, e som daquela buzina a tirou do torpor em que se encontrava nos últimos dias, quem sabe meses.
Subiu até o seu apartamento. Acendeu a luz e encontrou lá os móveis cobertos com a poeira que se assentara durante todos aqueles dias em que não estivera lá.
sábado, 7 de junho de 2008
Pescaria ( Poema de Rafaello)
Mulher meu pexin
Do molhe te vi
Joguei a vareta
Pra ver no que dava
Me escapuliu
Comeu charutin
E foi passear
Com outra amiguin
Depois vem faceira
Pr´outro charutin
Balança o corpin
Brilhando no sol
Tanta formosura
Meus olhos refletem
Já não vejo nada
Escapa outra vez
Ta fogo pescar
Esse exemplar
São tardes e noites
Ali a tentar
Mas não posso mais
Já cansei de vir
De me emocionar
De tanto tesão
Se chega é garrincha
No maracanã
Se nem ta aí
É o caos que vivi
Tomei consciência
Atum enlatado
Dá menos trabalho
E também tem teu Omega 3.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Abra seu coração ou eu arrombo a janela
Mas eu juro que to tentando me deter...
sábado, 24 de maio de 2008
No sofá
Naquele sofá, deitada, nada podia comprometê-la. Entra e sai, conversas, risadas e ela lá, impassível no seu silêncio.
Pensou em como seria tudo diferente se ela não estivesse ali, naquele estado.
Ainda não conseguia entender como o silêncio era perturbador. Mas ela também queria o silêncio.
Não, ela não queria o silêncio, ela queria aquele estardalhaço da vida gritando que ainda era tempo de fazer algo. O silêncio era somente o que havia sobrado. Lembrou da última vez que algo lhe incomodou... e a única lembrança que teve eram seus olhos verdes.
domingo, 11 de maio de 2008
a incrível capacidade de cortar que certos corpos possuem
Há uma linha que a divide ao meio deixando-a à mercê do corte. A Lâmina é fria e há que se ter cuidado para não sangrar demais. Há que se cuidar para que o corte não seja profundo e que não deixe marcas ou cicatrizes irreversíveis.
Era feliz assim, mas não sabia a densidade da lâmina que corta, que perfura e fere o tecido virgem da sua etérea carne.
E as mãos que pretendem percorrer sua alma devem ser suaves e densas, frenéticas e calmas, tranqüilas e nervosas, tocando os seus sentidos inversos e sem medidas.
Não quer suavizar o medo. Há que se ter medo sim. Quer impressa a saliva alheia na sua ferida aberta e que toque profundo na sua tosca dor.
Tosco é o amor que não se deixa sangrar.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
A vida velha de S ( título inspirado na Alzira)
Ele tem mãos grossas, frias e enrijecidas. Ele tem o coração mais seco que aquela uva passa do natal passado.
Ele já não gosta mais daquele som que antes o despertava feliz
Ele olha várias vezes a mesma forma insalubre do contorno da sala. Seus móveis estáticos e enfermos. Sua vida controlada por um radar.
Ele atravessa o corredor de