sexta-feira, 3 de abril de 2020

Pandemia - o que é isso?


20 dias de reclusão e confinamento. O movimento da terra parou.
Estamos TODOS, sem exceção, de alguma forma parados. O mundo está parado. Por mais que alguns tentem retomar suas atividades, não há jeito, só é possível se todos pararem.
Estamos vivendo um momento de uma peculiaridade sem precedentes. Já houve outros, claro, em que o mundo ficou em estado de alerta. Porém, dessa vez, não há nenhum lugar que esteja salvo. As guerras produziram grande terror na humanidade, as pestes e doenças causaram danos irreparáveis. Mas em algum lugar se podia viver sem que a ameaça chegasse.  A globalização e o modo em que vivemos hoje, não nos dá essa chance. Não há um só lugar que não esteja com medo. Precisamos aprender a viver como antes, da terra, do nosso próprio sustento, sem exageros e sem excesso. Precisamos aprender a controlar nossos impulsos e estarmos mais conosco mesmos. Não há saída.
Precisamos reaprender a vida. Criar uma nova estrutura que nos seja possível de continuar no planeta. Nada será como era, não podemos mais nos enganar que as coisas voltarão a ser como antes, pois já causamos danos demais a toda a estrutura viva que é a nossa morada.
A interdependência nos mostra que nada está desvinculado de nada, que cada movimento que fazemos, é e será fruto da nossa própria sorte. Esse é um apelo lançado aos que mais conseguem enxergar. A amplitude dos nossos atos é a chave que vai girar a nova engrenagem do motor da nova vida.


20 dias de reclusão e confinamento. O movimento da terra parou.
Estamos TODOS, sem exceção, de alguma forma parados. O mundo está parado. Por mais que alguns tentem retomar suas atividades, não há jeito, só é possível se todos pararem.
Estamos vivendo um momento de uma peculiaridade sem precedentes. Já houve outros, claro, em que o mundo ficou em estado de alerta. Porém, dessa vez, não há nenhum lugar que esteja salvo. As guerras produziram grande terror na humanidade, as pestes e doenças causaram danos irreparáveis. Mas em algum lugar se podia viver sem que a ameaça chegasse.  A globalização e o modo em que vivemos hoje, não nos dá essa chance. Não há um só lugar que não esteja com medo da pandemia do vírus COVID-19. Precisamos aprender a viver como antes, da terra, do nosso próprio sustento, sem exageros e sem excesso. Precisamos aprender a controlar nossos impulsos e estarmos mais conosco mesmos. Não há saída.
Precisamos reaprender a vida. Criar uma nova estrutura que nos seja possível de continuar no planeta. Nada será como era, não podemos mais nos enganar que as coisas voltarão a ser como antes, pois já causamos danos demais a toda a estrutura viva que é a nossa morada.
A interdependência nos mostra que nada está desvinculado de nada, que cada movimento que fazemos, é e será fruto da nossa própria sorte. Esse é um apelo lançado aos que mais conseguem enxergar. A amplitude dos nossos atos é a chave que vai girar a nova engrenagem do motor da nova vida.

domingo, 27 de setembro de 2015

Jardim de inverno

As margaridas e as Petúnias estavam lindas!
A menina sonhou. E nesse sonho ela estava no cinema com seus amigos de tantos anos. Eles eram poucos, mas eram aqueles amigos de longa data, de anos, diria, de séculos.
No cinema eles levaram travesseiros, cada qual o seu. Mas o filme era daqueles que não tem imagem. A menina não entendia bem porque não conseguia ver o filme. Sempre que ela estava de olhos abertos, o filme sumia. Então ela cochilava, dormia um pouco. Aí, o filme aparecia. Não que ela visse algo, eram os amigos que diziam que tinha aparecido a imagem na tela.
Todos saíram do filme comentando, falando do quanto tinha sido bom. Mas ela realmente não sabia do que se tratava a história.
Eles saíram do cinema e esqueceram os travesseiros. Esqueceram também onde tinham que ir pra pegar o ônibus. Estavam perdidos.
Já passava das 23h e a rua estava totalmente deserta. Não havia mais ônibus e um breu se formou. Eles agora não sabiam voltar para casa. Então perguntaram pra 3 rapazes que passavam por ali como faziam para ir até o ponto de ônibus mais próximo. Não havia. Só havia uma estrada e ela era muito longa e com muitas, mas muitas dificuldades.
A menina não acreditava que havia só aquele caminho. Ela não queria ir por ali. Mas os amigos de longa data não hesitaram e seguiram. E ela foi junto até uma parte, mas ainda inconformada com aquela situação. Pararam na casa de uma mulher idosa que ficava bem no meio da estrada e a menina foi perguntar à velha senhora se aquele caminho iria mesmo até o lugar que eles queriam ir. A senhora idosa disse meio em dúvida que sim, aquele caminho levava até aquele lugar, mas que era um caminho difícil, cheio de obstáculos. 
A noite estava escura, e os amigos foram subindo a longa estrada de terra e buracos. A menina ficou ali, pensando no que fazer. Então passaram muitas coisas pela cabeça da menina. Muitas mesmo. Toda a sua vida ela esteve junto a eles e agora eles estavam indo. Ela pensou em ficar ali, talvez para nunca mais sair. Pensou também no que poderia acontecer se ela fosse atrás dos amigos. Pensou na possibilidade de alguma coisa boa acontecer no percurso, talvez encontrar um castelo com reis, mestres e a tão esperada paz.
No meio de tantas dúvidas e vendo o tempo fugir das mãos, bem como o afastamento dos amigos queridos, ela saiu em disparada estrada à cima, com a respiração ofegante de tão alta que era a subida. Ela gritava que a esperassem e eles assim o fizeram. Ela conseguiu alcançá-los e, dali em diante, eles seguiram juntos. Mas a partir dali começavam os obstáculos. Um rio fundo e cheio de animais que apareciam nos surpreendendo. O chão do rio era de lodo, e cobras subiam nas pernas ameaçando-nos sem aviso. Javalis velozes passavam por nossos corpos amedrontando-nos. E o bando seguia. Mas agora era a menina que ia à frente, puxando com coragem e determinação os amigos que vinham atrás. Chegaram numa casa para pedir mais informações sobre qual caminho levava ao lugar que eles queriam ir. O velho senhor que estava na casa apontou uma porta. A menina abriu, e um pequeno corredor se fez perante os olhos dela e cautelosamente foi andando. Mais portas foram surgindo, e ela foi abrindo. Cada vez o caminho era mais estranho e impossível de levar a qualquer lugar. Mas agora eles não podiam desistir. Seguiram em frente.
Chegaram numa sala e lá encontraram duas mulheres jovens. Apesar de feições normais, elas não pareciam amigáveis. Então, bem em frente à porta, a que devíamos abrir pra seguir em frente, as mulheres pararam. Disseram que só poderíamos sair dali se dois de nós as servissem. Mas elas é que escolheriam essas duas pessoas do bando. Escolheram um rapaz e a menina que estava ao meu lado. Uma delas disse pra mim que eu era muito velha, que não servia para o que elas queriam.
Segurei nos braços da menina que foi escolhida e logo em seguida ela foi puxada de mim e lá estava. Entregue as malvadezas delas.
Corri para perto da porta bem logo ela se entreteve com os dois escolhidos. Os outros, como eu, ficaram parados esperando para ver o que eu aconteceria. Não sabia bem o que ela iria fazer com eles, mas esperei que o tempo passasse, precisava ter uma boa ideia para salvar todos nós dali. Enquanto ela se distraía, eu abri a porta atrás de mim para que algum dos nossos fugissem, mas nesse mesmo instante apareceu mais uma mulher trazendo notícias de algo que não conseguíamos entender. Então ela relaxou, ou melhor, se preocupou tanto com o que a outra falou que já não mantinha mais sua atenção em nós. Entrou pela porta onde as duas primeiras mulheres haviam sumido com o rapaz e a menina, para dar a notícia que nós não conseguiríamos entender. Ela deixou aberta a porta por onde surgiu e nós fugimos, porém, a porta dava para um labirinto feito de paredes brancas e sempre iguais. Sempre iguais. Sempre iguais. Não chegávamos a lugar nenhum, então pensamos em voltar, mas não sabíamos voltar. Sentei no chão, aflita, e meus amigos tão antigos sentaram comigo no meio do branco e do silencio que parecia não ter fim. Ficamos ali, sentados um dia inteiro, ou alguns minutos, ou um pouco menos, até que as três mulheres apareceram caminhando rapidamente e o rapaz e a menina vieram atrás e nos falaram: - vamos com elas!!! E fomos.

Não havia mais labirinto, nem portas, nem velhos e nem velhas, nem castelos, nem reis e nem mestres. O dia havia amanhecido e a menina acordou sem saber onde estava e também sem saber qual filme havia passado no cinema. Só sabia da lembrança do sonho, dos amigos, das escolhas e dos caminhos que sempre apareciam. Sempre novos caminhos, nem sempre certos, nem sempre errados, mas novos caminhos. Sempre!


quinta-feira, 12 de março de 2015

Diário da Capsulite Adesiva

Capsulite adesiva


A Capsulite Adesiva também é chamada de Ombro Congelado. É uma condição dolorosa associada a uma perda severa de movimento no ombro. Pode estar associada a uma lesão ou pode ocorrer gradualmente sem causa aparente.



Tudo começou em novembro de 2014. Na verdade acho que antes mas, essa etapa do processo chegou nesse período.

Em dezembro durante a viagem que fizemos a trabalho  pelo SESC - SC é que ela botou as manguinhas de fora. Passaram-se quase 4 meses e ainda o processo segue lento.

Há duas semanas comecei duas sessões de fisioterapia na UNVALI, sessões semanas de bloqueio analgésico e anti-inflamatórios que já me levaram pro PA numa dessas madrugadas. 

Então vou tentar descrever aqui um pouco dessa espera,

beijos

domingo, 11 de agosto de 2013

O espelho! Homenagem ao dia dos Pais


Ela gostava de se vestir com as roupas dele. Jurava que no espelho poderia imitá-lo. Escondida, durante a noite, ia pé ante pé até o banheiro, abria a porta que tinha a maçaneta redonda e grande. Empurrava o pino e lá ficava escondida, brincando. Às vezes tinha medo das coisas que poderia encontrar. 
Uma vez encontrou uma caixinha, muito pequena mesmo, essas de colocar anel, mas não teve coragem de abri-la.

Ela se vestia com a blusa que ele deixava pendurada no gancho atrás da porta. Enchia o pequeno rosto com aquela espuma de barbear que mais parecia um chantilly, o mesmo chantilly que sonhava ter no seu bolo de aniversário. Mas eles nunca comemoravam nenhuma festa. Olhava-se agora com toda aquela espuma e ficava adivinhando ele no espelho. Imitava-o no gesto do barbear, criando caminhos com o próprio dedo no meio de toda aquela espuma e, do mesmo jeito que ele fazia, mastigava a língua pra fora da boca. Ah, isso era o que ela mais gostava.

Ele não! Ele gostava de poucas coisas. Bem poucas. Ela acreditava que as coisas que ele mais gostava cabiam numa bolsa apenas. A Capanga, como ele chamava.

Um dia, ela arriscou-se a olhar o que realmente havia lá.

quarta-feira, 20 de março de 2013

MARATONA CULTURAL





NOTA DE CANCELAMENTO DO ESPETÁCULO 
"DOIS AMORES E UM BICHO" NA 3a. MARATONA CULTURAL


A Cia Experimentus informa a tod@s que está se retirando da programação da 3a. Maratona Cultural de Florianópolis, evento no qual apresentaria o espetáculo “Dois Amores e um Bicho” no dia 24/03, decisão esta informada hoje à produção do evento. 

Quando inscrevemos nosso espetáculo em dezembro de 2012 haviam informações de que a terceira edição da Maratona seria realizada com recursos Lei Rouanet, e naquele momento entendemos que este cobriria seu valor integral, não havendo participação do Governo do Estado. No entanto, quando saiu a divulgação da programação no website do evento há algumas semanas, vimos veiculada no material de mídia o Governo do Estado como patrocinador e a Prefeitura Municipal de Florianópolis como co-realizadora, não havendo no site a logomarca da Lei Rouanet. 

E por que não participar de um evento custeado pelo Governo do Estado?

O descaso e a arbitrariedade com a qual a cultura catarinense vem sendo tratada pelo Governo do Estado tem desencadeado diversas manifestações de repúdio, a exemplo das ações do Fórum Catarina e do movimento Ocupa CIC, apenas para citar duas recentes, que no ano passado deram ampla visibilidade a diversas irregularidades ocorridas, tais como a aprovação de projetos que sequer passaram pelo Conselho Estadual de Cultura, este que legalmente deveria ser o responsável por tal processo, enquanto outros projetos, tais como o Prêmio Cruz e Souza, o Salão Victor Meirelles, o Prêmio Cinemateca Catarinense, e o Festival Catarinense de Teatro, projetos aprovados pelo Funcultural, não foram pagos pelo Governo do Estado. 

Na última semana, mais um destes absurdos veio à tona com o cancelamento do espetáculo “Kassandra”, que teve de ser retirado da programação da Maratona Cultural, por ter como espaço de apresentação o Bokarra Club. Segundo o jornalista Rafael Martini (da Coluna “Visor” / Diário Catarinense) a decisão teria vindo do governador, Sr. Raimundo Colombo, que determinou que o espaço de apresentação fosse retirado da programação por se tratar de casa de diversão adulta, e não havendo sentido em realizar a peça em outro espaço “moralmente aceitável” o grupo preferiu retirar-se do evento. 

Entendemos que esta ação específica desrespeita a curadoria realizada a partir da inscrição de trabalhos artísticos diversos feita em 2012 pelo website do evento, seleção esta que é um processo democrático rompido por uma ação que julgamos arbitrária e moralista. Mas esta ação é apenas a ponta do iceberg.

Mesmo reconhecendo a importância da Maratona Cultural, não concordamos que um evento artístico tenha de ser refém das deliberações do Governo do Estado, por correr riscos de sua não viabilização. Seja por moralismo ou por qualquer outro motivo, entendemos que não é direito do poder público decidir que tipo de arte pode ou não ser vista, e principalmente que tipo de projetos devem ou não ser pagos. Entendemos isto como um desrespeito aos processos legais instituídos para a seleção de projetos culturais a serem beneficiados com a rescisão de impostos destinada à cultura catarinense. 

Lamentamos pelo público que perderá mais um espetáculo da programação, contudo, como artistas e cidadãos, não podemos concordar com estes acontecimentos, e aqui registramos nosso repúdio retirando nosso trabalho da programação. 

Cia. Experimentus / Itajaí - SC

    sexta-feira, 2 de novembro de 2012

    Salve o tricolor Paulista!




    Imagina um ser humano. Quantas coisas se passam na cabeça dele. Ele era assim, igual. Seu jeito de fazer a barba era raro. Eu o imitava, sempre que podia. As coisas pequenas, as que ninguém via, eu consegui enxergar. Lia jornal e revista com um olho só. De poucas palavras, severo, nada carinhoso. Eu tinha raiva na infância. Achava que ele gostava mais da outra, minha Irmã. Foram muitos anos assim.
    De repente as coisas mudam.
    Em muitos momentos da sua vida andava resoluto, tentando manter a dignidade que estava encoberta, mas existente, pelos teores alcoólicos que foram seus maiores fantasmas. A fragilidade assumia um papel decisivo na sua conduta e ele seguia indefeso e triste.
    Esfregava a barriga e assobiava num gesto de desabafo. E fumava. Isso nunca me incomodou. A bebida sim. Essa eu sabia que seria sua perdição.
    Eita mundo velho sem porteira! Assim estamos nós todos, soltos! E ele não tinha freios. As decidas eram sempre ladeira a baixo. Pra subir, os passos eram muito difíceis.
    Mas eu amei. Comecei a amar tarde, talvez. Mas não tarde demais. Espero! Fui de mansinho, ganhando jeito e conquistando. Afinal, pra alguma coisa esse dom deve me servir. E assim foi, foi indo...de pouco, de leve. Pouco difícil, às vezes. Mas eu sei que ganhei a benção. Ele me olhou, me viu, me amou também. Hoje nós nos amamos. Ele existe aqui dentro de mim.
    Homenageio-o sempre que levo comigo os seus pertences. Eu tenho esse privilégio.
    Na capanga que ele guardava as coisas que ele mais gostava. E lá está ele, me olhando, com seu único olho. Ele me vê e eu o vejo. Canto o hino que é sempre em homenagem a ele. Canto pra que ele escute e veja que todos ali estão vendo o que está por ser visto. Salve, Salve o Tricolor paulista.