quinta-feira, 26 de março de 2009

A Casca

Sentou-se no sofá para comer a pêra e começou a descascá-la. Nunca gostou muito de comer a fruta com a casca. Pouquíssimas frutas ela se permitia comer com a casca. Jamais comia uma fruta gelada, a não ser ameixa... essa sim, ia gelada e com casca. Cada fruta que descascava era de uma desigualdade que a cada vez, esquecia como fazia. Algumas realmente eram sem graça de fazer. Mas hoje era a pêra. E ela, a pêra, tinha um gosto tão amargo na sua superfície que conseguia destruir com o seu paladar.
A TV ligada, uma 15 polegadas que não dava para distinguir Ronaldo de Ronaldinho. Mas o jogo rolava na telinha. Ela não conseguia muito bem engolir os pedaços grandes que cortava coma faca de serra que ia aos poucos, consumindo mais de um quarto daquela pêra suculenta.
Automaticamente ia degustando e tentando pensar nos dias que estavam sucedendo.
Três semanas de eterna mudança. Três semanas em que tudo estava meio virado de perna pro ar.
Ela não queria de novo o acordar assustada e com o coração opresso. Somente queria deitar e dormir e esquecer os danos daqueles dias. O tempo voltava em rajadas, fazendo as voltas de uma enorme e circular ciranda que girava num entardecer morno. Os dias gritavam seu silêncio ensurdecedor e nocivo. Os abalos sísmicos se acalmavam no seu interior.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Fracasso

Eu como blogueira sou um fracasso! verdade. Meu amigo Daniel (www.chicolinguica.blogspot.com) me indicou em uma brincadeira e eu ainda não consegui dar continuidade a rede.
O negócio é o seguinte: Ele me indicou numa brincadeira que se chama meme selo na qual vc tem que contar seis particularidades suas e indicar seis amigos que tenham blog a fazerem o mesmo. Bom, eu não consegui tempo ainda pra pensar em seis coisinhas minhas e como não quero quebrar a corrente vou tentar postar pelo menos duas de cada vez mudando um pouco as regras.
Abaixo seguem os links das pessoas blogadas as quais eu indiquei e também as regras que não podem faltar:

http://andresknoll.blogspot.com/
http://cubacheiro.blogspot.com/
http://lomasstoff.blogspot.com/
http://sombrapensante.blogspot.com/
http://soneia.blogspot.com/
http://barbara-damasio.blogspot.com/

As regras:

- Colocar o link de quem te indicou para o meme-selo;
- escrever essas 5 regras antes de seu meme para deixar a brincadeira mais clara;
- contar seis fatos aleatórios sobre você (essa é a proposta da brincadeira);
- indicar seis blogueiros para continuar a brincadeira;
- avisar esses blogueiros que eles foram indicados.

1) Bom, quando eu era pequena eu e meus irmãos estávamos brincando de arrumar defeitos uns nos outros. Coisa de criança sabe! Então logo eu descobri que minha irmã tinha orelhas de abano. Meu irmão tinha nariz meio largo devido a uma cidente que nem lembro pois acho que era muito pequenininha. Então, depois de muito tempo semconseguir descobrir nenhum defeito em mim acharam um dedo minimamente menor do meu pé direito. O dedo do meio. e depois disso não consegui mais usar sndálias abertas e ficava o tempo todo escondendo o pé na areia da praia.

2) Outra de quando era criança: Minha mãe colocava a gente eu e minha irmã sentadas no chão de um quartinho depois a jnta e dava uma laranja pr nós chuparmos.Numa dessas minha irmã pra sacanear comigo disse que tinha colocado semente de laranja no nariz e que era muito bom. lógico que eu fui experimentar, né? adivinha: fui levada ao hospital pra tirar o caroço da laranja de dentro do meu cérebro. Essa historia ja rendeu muitas risadas.

Próximo post eu conto outras duas.

beijos

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Segunda-deira 9 de fevereiro de 2009

A vida muda da tarde pra noite. Uma ligação, um telefone que toca, um sei lá o que acontece.
- Não vai dar pra ir, vou amanhã.
- Ah tah... tudo bem. Pode ser.
Isso mesmo. Tudo muda. Ela de repente se vê lá. Compulsivamente foi. Nem ao menos sabia como tinha ido parar lá. Buscou se arrumar, pintou os olhos( e nem sabia que podia borrar a maquiagem com seu choro), prendeu o cabelo pois intencionava lavá-los somente a noite. Mas ela não sabia que se arrumava para o grito de liberdade. Porém,ela não precisou gritar. Quando viu estava lá, frente a frente. Deixou os livros, a máscara e sua única lágrima. Abraçou como se sentisse agardecida por ter sido rejeitada. Os óculos escuros foram mantidos desde sua trajetória de retorno. Era para se acaso precisasse chorar. Não foi necessário.
Havia sido aquela sua úlitma lágrima.
Comemorou com os restos que havia na geladeira. Os restos que continham a dignidade da sua liberdade.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Ensaio sobre a Velhice

Olá!

Como prometi to postando algo novo depois de um longo período de estiagem.


Essa história aconteceu recentemente comigo. Estava na casa da minha mãe e estava lá minha tia, irmã dela mais nova que sempre foi tida como uma pessoa meio maluquinha e por isso às vezes amada e às vezes odiada pelo resto da família. Minha mãe tem 75 anos e penso que essa tia deva ter uns 70, por aí. Estes últimos tempos ela (mãe) tem estado muito doente decorrente de um problema de articulação que está sofrendo, apesar de ser uma mulher muito forte. Ela então falava das suas dores, dos remédios, da cirurgia que vai fazer e tal e coisa e minha tia ao meu lado querendo falar e perguntar coisas pra mim que nada tinham a ver com o assunto. Então, pra dar atenção à minha mãe, motivo da minha visita à ela, falei que andava tb com algumas dores nas articulações da mãos e que deveria ser uma coisa meio de família e que por isso deveria me cuidar logo. A tia que nem prestava muita atenção, ouviu meu comentário sobre as mãos, já que eu mostrava elas pra minha mãe, então veio e me perguntou: -
-O que tu tens nas mãos?
Eu respondi que devia ser uma artrite ou coisa parecida e que devia ser meio genético já que minha irmã mais velha também tinha estas dores.
Ela me respondeu com a pergunta que foi uma das coisas mais fantásticas que eu já ouvi estes últimos tempos:
- Pois é, será o que eu vou ter quando ficar velha????

Estou até hoje aprofundando essa história dentro de mim!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

ressurgindo

Olá pessoas,

Andei sumida da vida internética e blogueana pois as férias me tomaram um tempo incrível. Dá trabalho tirar férias...ou melhor, dá trabalho voltar ao trabalho.
Ainda sem nenhuma grande inspiração pra escrever, apesar de ter matutado coisas demais por estes dias. Assim que conseguir botar ordem nos pensamentos vou fazendo aqui a materialização deles.
Bom começo de ano a todos e muita paz.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O cigarro, a cinza, o medo ( o café )e suas conseqüências - Parte II

Ela desceu as escadas largando seu cigarro comprado avulso, e seguiu rumo ao que considerava seu alento. Deitou-se, acomodou-se um pouco na cama daquele jeito, como sempre fazia para que o sono viesse. Uma posição que só acontecia e só se explicava quando ela se deiatava predisposta a uma sono de refúgio.
O sino da igreja batia e ela contava. Aprendeu os mecanismos de contagem das badaladas. Antes só sabia se perder nos sons das águas, mas agora o ruído que a fazia adormecer mudara. Em poucos minutos estava em pleno sono.
Tinha resolvido que seria melhor daquele dia em diante...que não fumaria mais nenhum cigarro avulso e nem seria ingrata com sua família e seu queridos. Prometeu, no auge da sua benevolência, que buscaria ser melhor do que tinha sido e que seria gentil, amorosa e amiga. Não que não tivesse sido até então, mas sabia que lá no fundo ela tinha em sua índole a irracionalidade e o instinto muito fortes dentro de si. Isso por vezes a incomodava. Mas ela desejava isso do fundo de seu coração. Desejava ser simples, fácil e pouca.
Desejava que sua ancestralidade não sobrepujasse a sua racionalidade.
Com tantos devaneios ela levantou-se, fez um café, sentou-se na mesa da cozinha e acendeu um cigarro.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Palavras são palavras

Esse texto foi mandado pela amiga Valéria.
Bonito e bom pra refletir


Li uma vez na introdução de uma monografia que o que transforma as sociedades não é a arte e sim as guerras. Custei um tempo para aceitar isso, logo eu que sou do campo da arte. Porém, hoje entendo o que isso queria dizer. E, é bem isso, só uma guerra, um desastre para abrir um espaço, uma lacuna, uma trégua. Somente uma desgraça de tal tamanho para desarmar, afrouxar e ver como temos seguido no mundo e como estamos encaminhando nossa sociedade.
A catástrofe nos obrigou a um “stop” para despertarmos os nossos sentidos já tão amortecidos pelo Shopping Center. Que espaço fértil esse do território de anônimos.
Importante será o pós-trauma, o momento de eterna vigilância, porque o manto capitalista está ali, logo ali, bem pertinho, pronto para nos abrigar, pronto para acariciar um por um, individualmente. Nada de derramar o manto sobre todos, aliás, coletividade é uma palavra que não combina com capitalismo.
Nossa grande vizinhança se uniu, e precisa manter-se unida para criar um olho bem grande, um olho do bem, e enfim este olho manter um olhar firme, atento e desapegado. Desapegado do material excessivo, mas apegado aos afetos fraternos. Desapegados dos livros e seus autores, mas apegado a uma palavra de amor. Despegado da palavra escrita, mas atento a palavra proferida.
Enfim aqui meu desejo de uma vida de amor, uma palavra utópica, escassa de nosso vocabulário, tão limitada em nossos atos (e que tem me perseguido em reflexões nestes últimos tempos). Amor, palavra que alberga em si, outras, como respeito, solidariedade, carinho, abraço, beijo, olhar, perdão, compreensão. Amor, esta é a palavra-chave para esse momento tão frágil, onde as necessidades básicas do ser humano estão em risco. Amor que não mata a fome do corpo, mas alivia o coração, alimenta a alma.
Não há outra palavra que não dor e urgência, para expressar esse momento da cidade de Itajaí, então aqui, estendo às atitudes de todos que estão diariamente na prática de auxiliar na resolução das necessidades básicas de toda população, meu respeito com amor.
A todos dessa linda cidade, a todas as famílias que convivo na Murta, no Brejo, no Campos Novos, São Vicente, Pró-morar, a todos os colegas do Sinpro, a todos os Professores, a todos os artistas, a todos os trabalhadores, a todos os jovens que mostraram sua força, a todos os incansáveis voluntários, a todos os homens e mulheres dessa cidade, a todas as crianças que brincaram na chuva e na lama e me fizeram sorrir onde nada mais tinha graça… Reafirmo a palavra AMOR.